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 Atitudes importantes tomadas por moradores, Ministério Público Conheça alguns exemplos que podem ajudar a todos a criar uma consciência política coerente com dos direitos básicos contitucionais e a cidadania.
 Prefeitura tentou "privatizar" 25 bairros de São José dos Campos A Prefeitura de São José dos Campos (91 km a nordeste de São Paulo) criou uma comissão para "privatizar" 25 loteamentos fechados do município _a maioria de alto padrão_ que foram se organizando irregularmente ao longo dos anos 90 como condomínios fechados. A "privatização" proposta pela prefeitura inclui a regularização desses loteamentos como condomínios fechados em troca da assunção pelos moradores de funções típicas do poder público. Entre elas, estão a sinalização de trânsito de ruas, a manutenção e o custeio da iluminação pública, a urbanização das áreas verdes e de lazer, a manutenção das vias públicas de circulação e do calçamento, a limpeza das vias públicas e a coleta de lixo domiciliar (veja quadro nesta página). A lista de exigências foi entregue pela prefeitura aos síndicos dos loteamentos em janeiro, quando a comissão passou a discutir a regulamentação da lei municipal 5.441/99, que autoriza o fechamento de loteamentos, vilas e ruas sem saídas em zonas residenciais, com acesso controlado. Segundo José Claudio dos Santos, administrador de dois loteamentos fechados da cidade, na reunião foi solicitado aos representantes que entregassem uma carta documentando o que o grupo acha possível ser cumprido. De acordo com o prefeito Emanuel Fernandes (PSDB), a comissão foi criada para discutir a questão porque ela envolve "direitos de várias partes". "Preciso ver o interesse de todos e o interesse público, principalmente." O "boom" de loteamentos fechados em São José se intensificou nos anos 90 devido ao aumento da violência urbana e foi impulsionado pela falta de fiscalização por parte da prefeitura. "Fundamentalmente, queremos segurança, mas há quem queira privacidade, entre outros motivos", disse a presidente da Associação dos Proprietários do Altos da Serra 5, Volia Lima Sampaio Alves Ferreira. Esses loteamentos já são chamados de condomínios pelos moradores por serem cercados, com guaritas no acesso principal que impedem ou inibem a circulação de pessoas em espaços públicos transformados em privados. Os loteamentos fechados, da forma como estão organizados hoje, são ilegais, já que a legislação estabelece diferenças entre eles e os condomínios. Segundo a lei federal 6.766/79, que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano, loteamento é a divisão de um terreno em lotes, com a abertura de novas vias e passagens públicas. Já a definição de condomínio é dada por outra lei federal, a 4.591/64: imóveis ou conjunto de imóveis construídos em área comum pertencente a todos, sem áreas públicas no seu perímetro. Repercussão Segundo a urbanista e atual secretária-executiva do Ministério das Cidades, Ermínia Maricato, uma lei municipal não pode legalizar um loteamento fechado. "A propriedade é pública, com isso o acesso é público. As leis são muito claras: loteamento não é condomínio", disse. Para o vereador Jorley Amaral (PFL), autor da lei municipal, não há nada nela que proíba o acesso de qualquer cidadão aos loteamentos fechados. Já para Emanuel, a lei trata do fechamento, com acesso controlado (e não proibido) de pessoas, mas, na prática, segundo ele, os loteamentos restringem o acesso de quem não é morador. "Tem hora que dá vontade de falar: espera aí, isso aqui é público." Para o professor de arquitetura e urbanismo da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e ex-diretor de Planejamento da Prefeitura de São José, Emmanuel Antônio dos Santos, a lei é uma maneira de "contornar a ilegalidade". "Houve no texto da lei, de alguma maneira, um contorno para burlar a lei federal que proíbe o fechamento de loteamentos", afirmou Santos. O promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo de São José, Gustavo Médici, disse ser completamente contra os loteamentos fechados. "Não existe a figura do loteamento fechado no Brasil e, além disso, são loteamentos em áreas públicas", disse. Segundo o promotor, vários procedimentos foram instaurados pelo Ministério Público contra determinados loteamentos. Para a arquiteta e urbanista Nádia Somekh, que foi secretária de Planejamento da cidade no governo de Angela Guadagnin (PT) _1993 a 1996_ os condomínios fechados são "anticidades". "Do ponto de vista urbanístico, sou totalmente contra os loteamentos fechados, afinal vão contra o que a cidade representa, um lugar de encontro. Eles se tornam um obstáculo à integração entre as pessoas", disse Somekh. 02/04/2003 - 14h28 Caraguatatuba embarga muro que impediria acesso à praia da Folha de S.Paulo, no Vale do Paraíba A Prefeitura de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, embargou ontem as obras de um condomínio fechado de alto padrão que está sendo construído no bairro da Mococa e estaria impedindo, por meio da instalação de um muro, o acesso de pedestres à praia. No final da semana passada, um grupo de moradores, comerciantes e vereadores protestou contra as obras no local. De acordo com o secretário de Urbanismo, Habitação e Trânsito, Leandro Borella Barbosa, a continuidade da obra foi impedida porque a construtora não teria apresentado alguns documentos relativos aos impactos da construção no ambiente. Barbosa havia afirmado anteontem que a obra estava regular e havia sido aprovada em todos os órgãos. Ontem, o secretário disse que realmente não há, em relação ao processo de planejamento e construção do condomínio, irregularidades, mas que alguns documentos relativos a informações sobre o impacto da obra no ambiente não foram relacionados pela empresa. Preventivo Segundo ele, o embargo é preventivo e somente será suspenso até que a empresa apresente um certificado do Graprohab (Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais) e cópia de aprovação prévia do projeto pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O engenheiro responsável pela obra, Eduardo Bevilacqua, disse que os documentos foram apresentados para a aprovação da obra e que estes devem ter sido perdidos pela administração. "A obra ocorre há oito meses e neste período já foi fiscalizada por vários órgãos, não estaria trabalhando se não tivesse a documentação em dia", afirmou. (publicado na FolhaSP, em 09/03/03 por Luciana Araripe
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